terça-feira, 14 de junho de 2011

Mundo círculo

Todos ainda desejam que sejamos redondos, como círculos perfeitos. Que será de mim? um quadrado em meio a tantos círculos. Sou um quadrado irregular, se é que isso existe.
Poucos percebem que os seres humanos não são todos círculos, e em meio esta vastidão de imensas esferas, ainda se escondem tímidos quadrados. Quadrados que não se encaixam nos espaços reservados as esferas. Você por acaso já tentou colocar um quadrado dentro de um círculo? por certo seria considerado louco, ou acometido de uma severa doença mental. Mas nossos caros seres de mesma espécie, vivem a insistir que sejamos colocados no mesmo espaço, quadrado dentro de círculo, como se isso fosse possível.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ROTINA

Rotina

Em plena manhã de domingo
ao despertar preguiçosamente ouviu-se uma voz rouca  que sussurava:
Acorda para vida Antonia.

A cama desarrumada
Lençóis jogados ao léu
A manhã talvez fosse azul
Se não fossem as nuvens negras no céu.

O sinal da fábrica grita apavoradamente
A fila se forma
Uniforme de todas as cores
As pernas correm apressadas
Resta-me uma pergunta
Que se cala sem resposta.

Atrás da mesa um careca
Que metodicamente bate
sobre ela uma caneta esferográfica

Acuda-me Deus nosso Senhor
Tu que tudo sabes a meu respeito
 Trabalhar, trabalhar, trabalhar
Se eu não me chamasse Antonia
Por certo chamaria Trabalho
Mas uma coisa não rima com a outra
E quem disse que para ser poesia é preciso ter rima ?

Melhor mesmo uma bebida
Para fazer-me esquecer que amanhã é segunda
E segunda também não rima com Antonia,
só com Raimunda.

Valdinéa França


quinta-feira, 28 de abril de 2011

RECUSAS

Ainda recuso-me a ser como os outros
fazer o que os outros fazem
comportar-me como os outros se comportam
Pensar feito a maioria
falar como os outros falam
Andar como os outros andam e vestir-me como os outros se vestem.
Recuso-me a ser apenas mais uma.
E recusando, sofro.
Sofro como quem não admite muitas mudanças, mudanças drásticas e dramáticas.
Mudanças mínimas, para outros insignificantes.
Sofro como a folha do coqueiro, que estando a beira da praia a mercê do vento, recusa a inclinar-se.
Mas mesmo sofrendo, resignado o coqueiro inclina-se.
Assim mesmo faço, mesmo sofrendo, mesmo com lágrimas nos olhos.
Resignada inclino em reverência aos meus opositores, que não fortes quanto o vento força-me a mesma atitude.
Mesmo não desejando, mesmo recusando, acabo por sucumbir a vontade dos outros.
Passando a ser apenas o que os outros desejam que eu seja
Apenas mais uma, somente mais uma.


Valdinéa.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fascínio


Uma borboleta,
Talvez um beija-flor.
Quem sabe chuva,
sol,
inverno ou verão,
noite ou dia.
Um rouxinol,
um sabiá,
um pássaro bem-te-vi.
Ainda não sei explicar
Só sei que é muito bom sentir
Só sei que é muito bom de amar.
Um raio de sol,
uma centelha de luz.
uma gota de orvalho.
O rosa do céu ao entardecer.
Um suspiro,
Um sorriso.
Ainda não sei explicar.
Só sei que é muito bom sentir .
Só sei que é muito bom de amar.
Só sei que é fascinante estar com ela,
conviver, ser feliz e ouví-la chamar-me de
MAMÃE.

Gota de poesia.


Quando sofri de amor a primeira vez,
Uma gota de poesia
c
     a
          i
             u
sobre o papel.
Ele antes branco, límpido,
tornou-se róseo.
De róseo tornou-se  vermelho.
Por fim só restou no papel
Uma mancha
Das lágrimas poética
e
            s         p
                                    a         lh       a         d
                                                                        a               s.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sonhos

O que seria dos homens senão fossem os sublimes sonhos?
Sem sonhos não há possibilidades de vida  neste plano terrestre, enquanto sonhamos mantemos viva em nós a esperança que sempre haverá um próximo dia. E neste novo dia que se aproxima  sempre podemos sonhar que ele será muito melhor que o anterior. Se tirarmos dos homens os sonhos, lhe tiraremos a vida também. O homem vive enquanto sonhador, sem sonho ele degenera e deixa de viver.
Então viva, sonhe.

Valdinéa.

Diploma X Humanidade.



Tenho pensado muito nos grandes feitos dos seres humanos. É inacreditável como eles estudam para se tornarem grandes homens e acabam por vezes se diminuindo. Discursos vazios fazem parte do seu cotidiano, “faça o que digo e não faça o que faço”, torna-se constante. E você que esperava que estas pessoas com muito mais conhecimento científico que você pudesse ajudá-lo a ser melhor, passa a acreditar que isso não é verdade, que você simplesmente aprende que precisamos ser melhores independentemente dos bancos universitários.
Ainda acredito que a pessoa precisa aceitar e respeitar o outro, pois todos temos uma maneira própria de ver a vida, mas este nosso olhar, não pode de forma alguma passar a representar um obstáculo para o outro crescer. Você não pode simplesmente impor aos outros a sua forma de pensar e ver a vida. Você é livre, tanto quanto as outras pessoas e, esta liberdade, permite a você apenas o direito de ser você mesmo, sem impor aos outros o que não quer que seja imposto a você.
Posso estar errada, não são estas palavras, máximas, mas representam o que eu acredito que seja coerente com as atitudes do ser humano. Como digo uma coisa e acabo por fazer outra que em nada tem a ver com o meu discurso? Não seria isso grave, se por acaso não atingisse pessoas que sofrem com isso.
Lamentavelmente são estas pessoas consideradas expert em muitos assuntos, são todas muito boas de fato no que fazem e merecedores de prêmios pelos diplomas que possuem. Mas estas pessoas são apenas pura e simplesmente portadoras de diplomas, geneticamente humanas. O difícil é ter que conviver com este tipo de pessoa e saber que, se de fato são boas e merecedoras de respeito e confiança nem sempre elas conseguem demonstrar isso.
Não quero aqui dizer que todos estes portadores de diplomas não são bons, tão pouco não são merecedoras dos prêmios que possuem. Saliento apenas, que diploma não trás humanidade a ninguém, e que isso é muito natural, cada um trás dentro de sim, independente de qualquer título.
Seu João, um homem de setenta e cinco anos, mora na roça, é analfabeto e pouquíssimas vezes tem contato com pessoas que não sejam da família. Na sexta feira, ao chegar da roça, depois de seus afazeres ele encontrou em sua porta, aliás em seu quintal, um vendedor. Pense em um vendedor chato, daqueles que tentam vender algo que você tem certeza que não precisa, mas ele insistentemente tenta fazer do que seja para ele, o papel de um bom vendedor.
Seu João cansado de um longo dia de trabalho ouve atento  o que diz o vendedor, tentando inutilmente convencê-lo a comprar um par de óculos de sol. O homem tenta persuadi-lo, mas sem sucesso. Muito educado, o senhor idoso, ouve atentamente, sem fazer caras e bocas, tão pouco mostrar qualquer despontamento, pois ele sabe que o vendedor está apenas fazendo seu papel e procurando fazer o que para ele seja o melhor. Terminada a tentativa inútil, o vendedor agradece e vai embora. Seu João enfim pode adentrar a sua humilde casa.
Ninguém falou á seu João que ele precisava ser educado e paciente com o vendedor. Ele não freqüentou nenhuma escola, tão pouco faculdade. Ele apenas fez o que sempre soube ser o certo e o que gostaria que fizessem com ele, caso ele fosse um vendedor, tentando fazer da melhor forma o seu papel.